Biodigestores e créditos de carbono

Quando se fala em biodigestores, muitos produtores rurais lembram ou os associam aos créditos de carbono. Não é para menos, afinal, é consenso que foram os créditos de carbono os grandes responsáveis pelo ressurgimento dos biodigestores no meio rural no Brasil. Este movimento ocorreu há cerca de 10 anos, quando se ouvia falar em biodigestores de graça, créditos de carbono a preços altos e expectativas de ganhos adicionais para o produtor.

Depois de uma década, o que se observa entre os produtores é que há muitas dúvidas sobre tais créditos de carbono, obtidos através dos biodigestores. Muitas destas dúvidas ocorrem porque o mercado foi desenvolvido de forma restrita às propriedades de grande porte, que representam a minoria em termos de números de produtores existentes no país.

A primeira coisa a se esclarecer é que, sim, o mercado de carbono ainda existe e, sim, é possível gerar créditos de carbono a partir de biodigestores!

Portanto, o objetivo deste post é contextualizar sobre como os créditos são gerados, sobre o mercado atual, retorno esperado e, para quem está pensando em construir ou instalar um biodigestor, uma orientação muito importante para não perder o direito a este retorno financeiro.

No manejo de dejetos animais, os créditos de carbono são gerados a partir da substituição das esterqueiras ou lagoas anaeróbias por biodigestores. Na lógica do mercado de carbono isso ocorre porque as lagoas emitem mais gases de efeito estufa para a atmosfera do que os biodigestores.

Capturar

No tratamento com lagoas o biogás gerado é emitido diretamente para a atmosfera. Com a instalação de biodigestores o biogás é capturado pelo balão e queimado. Assim, os créditos de carbono são determinados a partir de uma conta simples: a quantidade de gás que estaria sendo emitida para a atmosfera hoje (com a esterqueira) menos a quantidade de gás que será emitida após a instalação do projeto (biodigestor). Na prática, um crédito de carbono equivale a uma tonelada de gás carbônico (CO2) que deixou de ser emitido para atmosfera.

Os preços dos créditos de carbono flutuam bastante de acordo com a demanda do mercado. Para uma análise de retorno de médio prazo pode-se considerar um valor de referência da ordem de € 10,00 (dez euros) por crédito.

Para se ter uma estimativa da receita com créditos de carbono apresentamos a seguir alguns exemplos:

Frame

Um contraponto a tudo é que os créditos não são somente receitas e lucros. Também há despesas, em especial com projetos e documentos para certificar a propriedade que possui um biodigestor a receber os créditos de carbono. Para se ter uma ideia, no caso de biodigestores grandes, o ideal é que se forme um grupo de no mínimo 10 produtores para que o projeto se torne viável. Para os biodigestores pequenos, como no caso do kit básico da BGS, este número sobe para cerca de 1.000 produtores para viabilizar. Muita gente, não?

Hoje todo o mercado de créditos de carbono é regulamentado e administrado pela ONU, que avalia os projetos e aprova as propriedades que receberão os créditos. Ela também estabelece uma regra muito importante: os biodigestores devem ser novos ou construídos há no máximo seis meses.

Como reunir 10, ou no caso dos biodigestores pequenos, 1.000 unidades, não é algo fácil, é permitido que biodigestores novos possam obter os créditos no futuro, após formar o grupo, desde que na época da construção ou instalação, seja enviada uma carta à ONU comunicando a data do início das obras. Esta é uma etapa obrigatória, portanto biodigestores construídos há mais de seis meses que não realizarem essa comunicação perdem o direito aos créditos.

No caso dos clientes da BGS Equipamentos, estes não precisam se preocupar! Como parte da consultoria em projetos de biodigestores grandes a BGS Equipamentos realiza a comunicação à ONU e entrega o documento ao cliente sem qualquer custo.

Finalmente, depois da reunião de vários produtores em torno de um projeto, o processo leva cerca dois anos e necessita de alguns equipamentos especiais, como um queimador fechado e equipamentos de monitoramento do biogás.

Uma vez que certificada a propriedade a mesma poderá receber os recursos dos créditos de carbono por até 21 anos. Vale a pena ficar atento!!!