Alimentos da Alice

Se alguém te falar que viu uma propriedade rural que está utilizando dejetos animais para produzir biogás e que a partir deste gás está fabricando produtos como bolachas, pães, massas, e ganhando dinheiro com isto, você iria acreditar?

Pois é! Esta propriedade existe!

Localizada em Nova Cantu, no oeste do estado do Paraná, a pequena fábrica de alimentos da Sra. Alice está dando o que falar. Já conhecida na região pelo sabor dos seus produtos, depois da instalação do Kit-biodigestor da BGS Equipamentos ficou ainda mais famosa.

No sítio eles produzem de tudo um pouco: grãos, verduras, porcos e galinhas. Outra atividade da propriedade é a produção de leite. Hoje a Sra. Alice e o seu esposo, o Sr. Nelson, possuem cerca de 25 vacas.

Até a pouco tempo atrás todos os dejetos das vacas eram depositados em uma esterqueira. Os dejetos ficavam expostos a céu aberto e eram responsáveis pela produção de mau cheiro e a proliferação de moscas. Depois de algum tempo os dejetos eram então coletados e utilizados como “adubo”, uma prática comum em várias propriedades rurais.

Incomodados com esta situação e sempre preocupados com a sustentabilidade ambiental do seu sítio, a Sra. Alice e o Sr. Nelson começaram a buscar informações sobre novas tecnologias. Foi assim que eles começaram a pensar em instalar um biodigestor na propriedade, porém ainda faltava mais alguma coisa. Afinal, não existia nenhum biodigestor na região e tudo parecia meio distante, meio difícil.

Tudo começou a fazer mais sentido quando a Sra. Alice e o Sr. Nelson conhecerem o Luiz Fernando Souza, outro produtor da região ali de Nova Cantu também,  futuro técnico ambiental, e muito, muito interessado por novas tecnologias. O Luiz já tinha um conhecimento prévio sobre biodigestor e através de pesquisa pela internet encontrou a BGS Equipamentos.

Pronto! O Luiz então estudou os nossos equipamentos, concluiu que a solução da BGS era ideal para o sítio da Sra. Alice, apresentou para a Sra. Alice e o Sr. Nelson que gostaram da solução, e, negócio fechado.

O biodigestor foi financiado pelo Banco do Brasil através da linha PRONAF. Após a liberação do financiamento, tudo foi muito rápido. A BGS Equipamentos enviou os produtos para o Sr. Nelson na mesma semana, logo em seguida, o Luiz e o Sr. Nelson,  instalaram o biodigestor e já no 3º dia após a instalação o sistema já estava operando e produzindo biogás. O biodigestor foi instalado em setembro de 2014.

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A Sra. Alice e o Sr. Nelson adquiriram um kit biodigestor completo: biodigestor, purificador de biogás, medidor, balão de armazenamento, bomba de biogás e fogão a biogás; tudo o que é necessário para produzir, e claro, o mais importante, para utilizar o biogás. Junto com o kit eles receberam um manual e um vídeo com detalhes passo a passo de como montar o sistema. Além disso, durante todo o processo, mesmo após a venda, contaram com o suporte da BGS.

Em relação a utilizar o biogás! Uhhmm! Como eles estão usando! Principalmente para a fabricação das bolachas e pães da Sra. Alice.

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Antes de instalar o biodigestor a Sra. Alice gastava por mês cerca de 4 botijões de gás de cozinha, com um custo total de aproximadamente R$ 200,00 por mês. Depois que o sistema foi instalado ela ainda não comprou nenhum botijão. Além da economia, ela relata que a chama do biogás é melhor, mais forte. Por exemplo, assar pães utilizando o biogás está levando menos tempo que com o gás de cozinha.

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Além de toda a economia com gás de cozinha, o Sr. Nelson e a Sra. Alice também estão economizando com fertilizante. Dentro do biodigestor, as bactérias que produzem o biogás se alimentam da matéria orgânica presente no meio e disponibilizam Nitrogênio, Fósforo e Potássio para ser utilizado como adubo, de qualidade muito melhor que o material retirado das esterqueiras. Isto significa mais economia com fertilizantes e grãos melhores.

O Sr. Nelson estima que no sítio deles a economia com biofertilizante pode ser de R$ 2.000 a R$ 3.000,00 por ano.  Eles acreditam assim que em um ano e meio todo o investimento já estará pago.

O próximo passo, segundo o Sr. Nelson e a Sra. Alice, é a instalação de mais um biodigestor para tratar a totalidade de dejetos dos animais, o esgoto doméstico e usar o biogás para gerar energia elétrica para o funcionamento da ordenha.

E quem vai instalar o novo biodigestor para eles? Claro! O Luiz Fernando que a partir de agora é mais um parceiro da BGS Equipamentos.

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Bem, sem mau-cheiro, sem moscas, economizando gás de cozinha, economizando fertilizante… não é exagero o trocadilho “Alice no sítio das Maravilhas”!

Sra. Alice e Sr. Nelson, obrigado pela confiança!

Luiz, parabéns pela iniciativa e sucesso no seu novo negócio!

* Achou legal este post? Quer saber mais informações? Veja a entrevista com a Sra. Alice e o Sr. Nelson no link https://www.youtube.com/watch?v=WU0HuTTOAmc.

Biodigestores e créditos de carbono

Quando se fala em biodigestores, muitos produtores rurais lembram ou os associam aos créditos de carbono. Não é para menos, afinal, é consenso que foram os créditos de carbono os grandes responsáveis pelo ressurgimento dos biodigestores no meio rural no Brasil. Este movimento ocorreu há cerca de 10 anos, quando se ouvia falar em biodigestores de graça, créditos de carbono a preços altos e expectativas de ganhos adicionais para o produtor.

Depois de uma década, o que se observa entre os produtores é que há muitas dúvidas sobre tais créditos de carbono, obtidos através dos biodigestores. Muitas destas dúvidas ocorrem porque o mercado foi desenvolvido de forma restrita às propriedades de grande porte, que representam a minoria em termos de números de produtores existentes no país.

A primeira coisa a se esclarecer é que, sim, o mercado de carbono ainda existe e, sim, é possível gerar créditos de carbono a partir de biodigestores!

Portanto, o objetivo deste post é contextualizar sobre como os créditos são gerados, sobre o mercado atual, retorno esperado e, para quem está pensando em construir ou instalar um biodigestor, uma orientação muito importante para não perder o direito a este retorno financeiro.

No manejo de dejetos animais, os créditos de carbono são gerados a partir da substituição das esterqueiras ou lagoas anaeróbias por biodigestores. Na lógica do mercado de carbono isso ocorre porque as lagoas emitem mais gases de efeito estufa para a atmosfera do que os biodigestores.

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No tratamento com lagoas o biogás gerado é emitido diretamente para a atmosfera. Com a instalação de biodigestores o biogás é capturado pelo balão e queimado. Assim, os créditos de carbono são determinados a partir de uma conta simples: a quantidade de gás que estaria sendo emitida para a atmosfera hoje (com a esterqueira) menos a quantidade de gás que será emitida após a instalação do projeto (biodigestor). Na prática, um crédito de carbono equivale a uma tonelada de gás carbônico (CO2) que deixou de ser emitido para atmosfera.

Os preços dos créditos de carbono flutuam bastante de acordo com a demanda do mercado. Para uma análise de retorno de médio prazo pode-se considerar um valor de referência da ordem de € 10,00 (dez euros) por crédito.

Para se ter uma estimativa da receita com créditos de carbono apresentamos a seguir alguns exemplos:

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Um contraponto a tudo é que os créditos não são somente receitas e lucros. Também há despesas, em especial com projetos e documentos para certificar a propriedade que possui um biodigestor a receber os créditos de carbono. Para se ter uma ideia, no caso de biodigestores grandes, o ideal é que se forme um grupo de no mínimo 10 produtores para que o projeto se torne viável. Para os biodigestores pequenos, como no caso do kit básico da BGS, este número sobe para cerca de 1.000 produtores para viabilizar. Muita gente, não?

Hoje todo o mercado de créditos de carbono é regulamentado e administrado pela ONU, que avalia os projetos e aprova as propriedades que receberão os créditos. Ela também estabelece uma regra muito importante: os biodigestores devem ser novos ou construídos há no máximo seis meses.

Como reunir 10, ou no caso dos biodigestores pequenos, 1.000 unidades, não é algo fácil, é permitido que biodigestores novos possam obter os créditos no futuro, após formar o grupo, desde que na época da construção ou instalação, seja enviada uma carta à ONU comunicando a data do início das obras. Esta é uma etapa obrigatória, portanto biodigestores construídos há mais de seis meses que não realizarem essa comunicação perdem o direito aos créditos.

No caso dos clientes da BGS Equipamentos, estes não precisam se preocupar! Como parte da consultoria em projetos de biodigestores grandes a BGS Equipamentos realiza a comunicação à ONU e entrega o documento ao cliente sem qualquer custo.

Finalmente, depois da reunião de vários produtores em torno de um projeto, o processo leva cerca dois anos e necessita de alguns equipamentos especiais, como um queimador fechado e equipamentos de monitoramento do biogás.

Uma vez que certificada a propriedade a mesma poderá receber os recursos dos créditos de carbono por até 21 anos. Vale a pena ficar atento!!!

 

Biodigestores ao redor do mundo

Este post tem como objetivo dar uma volta ao redor do mundo e destacar em cada um dos cinco continentes, projetos de biodigestores e de utilização de biogás mais interessantes, visando evidenciar os avanços que esta tecnologia obteve nas últimas décadas e como o biogás tem sido considerado com relevância nas matrizes energéticas fora do Brasil.

Entre os cases que serão apresentados destaca-se o tratamento de efluentes com geração de  biogás e utilização do mesmo na rede de gás natural em Santiago no Chile, na América do Sul, minimizando a dependência do gás natural Argentino, a utilização de biogás para uma rede de taxis na China, na Ásia, melhorando a rentabilidade do negócio e a instalação de biodigestores modulares para o tratamento de dejetos residenciais no Quênia, na África, viabilizando o saneamento básico e gerando economia para as famílias daquele país.

 

EUROPA

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ALEMANHA

Na Europa, uns dos projetos mais interessantes esta localizado no estado da Saxônia-Anhalt, região leste da Alemanha, a usina de biogás Könnern representa um marco na iniciativa europeia pela busca da diversificação da matriz energética no continente. Fruto de um investimento de 30 milhões de Euros, a usina destaca-se por ser a primeira do gênero com tecnologia para distribuir biometano, que é o biogás livre de impurezas, em regiões distantes de onde é produzido.

Em operação desde 2009, a usina de Könnern fornece 15 milhões de metros cúbicos (m³) de biometano por ano à rede nacional de gás da Alemanha, sendo então redistribuído para residências e indústrias do país. Seu principal emprego é na conversão do biometano em energia elétrica, através do uso de geradores, utilizada em sistemas industriais e residenciais. Em especial nas casas a energia elétrica gerada é direcionada para o sistema de calefação. Sem Könnern, seria necessária a construção de uma usina com potência de 17 MW para atender a esta demanda.

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A geração de biogás se dá através de rejeitos do setor agrícola e criação de animais, como dejetos bovinos, suínos, bagaço de cana de açúcar e milho. A usina tem parceria com 30 agricultores e pecuaristas locais, que fornecem 120 mil toneladas de rejeitos por ano. Para cada tonelada de rejeito, 125 m³ de biogás são gerados. Estes rejeitos são condicionados em 16 grandes biodigestores, com 6 m de largura por 25 m de diâmetro cada, onde o biogás é gerado. Em seguida, 12 purificadores removem impurezas (como o ácido sulfídrico, H2S, que é corrosivo) com o auxílio de bactérias transformando-os em biometano e enviado a rede. Apesar das grandes dimensões, o nível de automatização é tamanho que somente 12 funcionários são necessários para operar toda a usina.

A Alemanha é reconhecidamente uma das potências mundiais na produção de energia a partir do biogás gerado por biodigestores. Atualmente, existem cerca de 3,7 mil usinas de biogás em operação, que já permitiram o desligamento de três reatores nucleares no país. Até o ano de 2022, a meta alemã é desativar todas as suas usinas nucleares, que atualmente correspondem a uma potência instalada de 20 mil MW, substituindo-as por fontes renováveis e mais seguras, sendo uma delas o biogás.

Fonte:

http://infinitybiopower.com/biogas/projects1/projects/

http://jagadees.wordpress.com/2008/09/27/biogas-plant-at-konnern/

http://www.renewableenergyworld.com/rea/news/article/2008/07/biogas-flows-through-germanys-grid-big-time-53075

 

AMÉRICA DO SUL

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CHILE

Na América do Sul, uns dos projetos mais interessantes observados está instalado em Santiago, capital do Chile. Lá a empresa La Farfana, a maior estação privada de tratamento de efluentes do Chile, responsável por tratar 60% do esgoto gerado em Santiago ou o equivalente a 778 mil m³/dia gera em torno de 60 mil m³ de biogás por dia. No início o biogás costumava ser utilizado como fonte de calor no aquecimento de caldeiras de água, que serviam ao abastecimento de processos da própria ETE. Porém, a forte dependência do gás natural importado da Argentina, com abastecimento incerto e preços elevados motivou a construção de uma central para captação e purificação do biogás da estação, com o objetivo de transformá-lo em gás natural e comercializá-lo. O gás natural possui 70% teor de metano, enquanto que no biogás este teor é de aproximadamente 55%; portanto, para converter o biogás em gás natural é necessário remover suas impurezas, “liberando espaço” para novas moléculas de metano.

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Em operação desde outubro de 2008, o projeto custou cerca de U$ 5 milhões, totalmente custeados pela própria empresa. Logo após ser gerado, o biogás é conduzido até a central de purificação, onde o H2S é removido por um processo biológico com o uso da bactéria Thiobacillus. Em seguida, é e conduzido por um gasoduto subterrâneo de 14 km até a fábrica de gases, de responsabilidade da La Farfana. Lá, outras impurezas (como COV’s e Siloxanos) são removidas através de um processo de “polimento” do biogás, que então é transformado em gás natural suficiente para atender consumo de 10% dos clientes industriais e domésticos da companhia.

Em março de 2012, a empresa passou a liquefazer o gás natural e transportá-lo em caminhões tanque até áreas remotas, não atendidas pela rede de gás da cidade. Atualmente, há planos para ampliar a aplicabilidade do gás natural, estendendo-o para veículos. Segundo estimativas, o gás gerado por La Farfana seria capaz de abastecer 2.700 veículos, o que representa cerca de 80% da frota de automóveis movidos por GNV em Santiago.

Fonte:

http://www.emb.cl/electroindustria/articulo.mvc?xid=1333&tip=7http://www.aguasandinas.cl/la-empresa/novedades/aguas-andinas-y-metrogas-inauguran-planta-de-biogas?CodTemplate=20120213120706

http://www.ngvjournal.com/pt/mercados/item/9600-metrogas-chile-to-start-producing-natural-gas-to-power-vehicles-from-2014

ORIENTE MÉDIO

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ISRAEL

Outro projeto de destaque esta localizado no Oriente Médio, na região leste de Israel. Inaugurada em 2012, a usina de biogás Be’er Tuviya é resultado de um investimento de U$ 2,6 milhões, visando a geração de eletricidade a partir de dejetos bovinos e de aves. A região da usina, composta majoritariamente por sítios e fazendas de pequeno porte, sofreu durante muitos anos com a destinação incorreta de dejetos animais e rejeitos de agricultura, que eram comumente despejados em rios ou mesmo amontoados, gerando poluição, mau odor e doenças.  Logo, sua implantação trouxe não só energia, mas também melhora nas condições socioambientais da população.

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Apesar de já haver duas usinas similares no país, Be’er Tuviya é a mais nova e maior usina de biogás de Israel, com capacidade de 4 MW, o suficiente para abastecer com energia elétrica 6.000 residências. Os dejetos animais são coletados em fazendas d da região e transportados em contêineres até a usina, onde sofrem processo de pasteurização e ficam armazenados em tanques de concreto hermeticamente vedados, onde ocorre a biodigestão e geração de biogás. Ao final do processo ainda há produção de biofertilizante, que retorna aos fornecedores de dejetos como compensação pela parceria. Este biofertilizante é aplicado na agricultura, sendo mais econômico e menos poluente que os fertilizantes industriais.

Atualmente, são utilizados dejetos de 14.000 vacas, além de aproximadamente 15% dos dejetos de todas as fazendas de frango de laticínios de Israel.

Fonte: 

http://www.greenprophet.com/2012/09/israels-4mw-biogas-plant/

OCEANIA

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AUSTRÁLIA

Na Oceania o projeto de destaque também utiliza efluentes para a produção de biogás, no entanto, diferente da usina La Farfana, no Chile, o biogás é utilizado para a geração simples de energia para a rede. A estação de tratamento de efluentes Tatura, localizada a 200 km ao norte de Melbourne, Austrália, implantou no ano de 2007 um sistema de captação e tratamento do biogás gerado pelo sistema de tratamento de alto desempenho da ETE. Esta medida possibilitou a geração de energia elétrica para a cidade, com produção de 5.000 MWh por ano. Antes da implantação, o biogás era simplesmente dissipado para a atmosfera. Estudos apontam que esta medida reduziu a emissão de 14.500 toneladas de gases de efeito estufa, o que equivale a retirar 3.400 carros das ruas.

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O projeto foi concebido através de uma parceria entre governo e iniciativa privada, sendo U$ 800 mil financiados por dinheiro público e uma quantia não divulgada pela empresa controladora da ETE Tatura. Com potência de 1,1 MW, a usina funciona com a geração de biogás a partir do esgoto, que surge como “subproduto” da degradação da matéria orgânica por mecanismos biológicos. O efluente chega à estação em estado bruto, onde é distribuído uniformemente através de uma série de canais pulverizadores. Durante este período o biogás é gerado e capturado sendo então canalizado, purificado com compostos ferrosos e encaminhado para o gerador de eletricidade.

A energia elétrica gerada pela usina de Tatura é conectada a rede elétrica local, onde foi instalado um sistema de sensores que permite ao consumidor final rastrear o percentual do seu consumo mensal veio de fontes ambientalmente corretas, como o biogás. Muito interessante, não acham?

Fonte:

http://www.cleanenergycouncil.org.au/resourcecentre/casestudies/Bioenergy/Tatura.html

ÁFRICA

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QUÊNIA

Na África, um dos grandes problemas que assolam o continente é a falta de saneamento básico. Em Kimera, no Quênia, a maior favela da África, simplesmente não há sistema de coleta e tratamento de efluentes. A prática mais difundida entre a população sempre foi colocar seus dejetos em sacos plásticos, apelidados “toaletes voadores”, e jogá-los em estradas, becos e sarjetas. Esta triste realidade vem mudando com a iniciativa de uma ONG local que, em parceria com a ONU, está construindo pequenos prédios com instalações sanitárias em Kimera, onde é feita a coleta dos dejetos humanos e produção de biogás, utilizado no preparo de alimentos. Para vencer a desconfiança da população, a ONU tem convidado personalidades mundiais para conhecer o projeto, como a modelo brasileira Gisele Bündchen, que em 2010 visitou 3 dos 52 centros de biogás em Kimera, e até cozinhou em um fogão à biogás.

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Além de conter a insalubridade dos ambientes públicos, os sanitários têm colaborado para difundir os conhecimentos sobre a geração do biogás. Em cada centro, há uma área destinada a educar a população e esclarecer dúvidas sobre o funcionamento do sistema. Tendo acesso a informação, cada vez mais moradores têm entendido como o biogás é uma fonte limpa e segura de energia, que em nada tem a ver com o a repulsa e a insalubridade dos dejetos que o geram. Canalizado até fogões, o biogás tem substituído o uso da lenha no preparo de alimentos para crianças de escolas próximas.

O sucesso do projeto tem chamado atenção de autoridades de diversos outros países africanos. A previsão da ONU é o projeto expanda-se para mais de 10 países até 2020.

Fonte:

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,gisele-bundchen-visita-quenia-para-incentivar-uso-de-energias-renovaveis,822402,0.htm

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=40939#.UY0g5KKyBrU

 

AMÉRICA CENTRAL

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COSTA RICA

Na América Central, o destaque fica por conta da empresa Chiquita Brands Inc., uma das maiores empresas do mundo no ramo de processamento de frutas, com 21.000 funcionários e presente em 80 países. Em 2011 a Chiquita Brands Inc.  instalou uma unidade de geração de energia a biogás em sua unidade de Guapiles, na Costa Rica. O destaque especial é que o sistema usa os restos de frutas e água de lavagem da própria indústria, que são condicionados em biodigestores anaeróbios, onde ocorre a biodigestão. O biogás então é transformado em energia elétrica, que ajuda a reduzir os custos na produção, e o subproduto do processo, um rico fertilizante, é cedido a produtores da região. Perfeito, não?

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O projeto, de custo não divulgado, foi concebido para utilizar a gravidade no transporte dos resíduos. Isto possibilitou que sua operação dispense o uso de energia elétrica. Os restos de bananas, abacaxis, mamões e mangas, bem como a água utilizada para fazer sua pré-lavagem, são direcionados da planta industrial até os biodigestores da usina através de tubulações específicas para esta finalidade, projetadas para facilitar a mistura dos resíduos, o que acelera a geração de biogás. Segundo a empresa, além de atender as exigências legais, o projeto reduziu significativamente o consumo diário de energia da unidade, além de gerar fertilizante utilizado nas plantações de bananas de cooperados da Chiquita Brands Inc.

Fonte:

http://www.fastcompany.com/1685821/chiquita-goes-carbon-neutral-harnesses-fruit-power-new-biodigester

http://www.prnewswire.com/news-releases/chiquita-launches-innovative-biodigester-in-guapiles-costa-rica-101727538.html

 

ÁSIA

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CHINA – CASE 1

Nesta volta ao redor do mundo do biogás, um dos cases mais legais é observado na China. Em operação desde 2010, a usina Aning Starch CNG, localizada na cidade de Naning, na região sul da China, próximo a Hong Kong, produz biogás para 120 táxis da cidade, que foram adaptados gratuitamente para utilizar este combustível. O biogás é gerado a partir do efluente do processamento de amido e fécula da Aning Starch Co., que é tratado por processos anaeróbicos na ETE da indústria. Antes da implantação do projeto, o biogás era queimado e lançado na atmosfera. Além de contribuir para o meio ambiente, o projeto mostrou-se rentável: segundo dados da empresa, o lucro anual com a comercialização do biogás é de U$ 4 milhões.

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Através de uma parceria de U$ 6 milhões entre a Aning Starch Co. e o governo chinês, o projeto auxiliou na redução de dois grande problemas que assolavam a região: os altos índices de poluição atmosférica e a eutrofização dos corpos de água próximos, já que o amido possui alto teor de matéria orgânica. Diariamente, 6.000 toneladas de efluente da produção de amido são tratados por quatro reatores anaeróbicos do tipo UASB. Durante este tratamento ocorre a produção de biogás, que é capturado na superfície dos reatores e encaminhado para uma central de purificação, onde impurezas e substâncias corrosivas são retiradas por processos químicos, transformando-o em biocombustível.  A produção diária é de 30.0000 m³ de biogás, que após a purificação converte-se em 21.000 m³ de biocombustível. A água tratada durante o processo é utilizada para irrigação por produtores locais.

O transporte do biocombustível até os dois postos da cidade é feito por caminhões tanque, que o transportam liquefeito e sob alta pressão. Nos táxis, cada 1 m³ de bicombustível equivale a 1,2 L de gasolina, o que gera uma economia de U$ 3 centavos por quilômetro rodado, o equivalente a U$ 5.500 por ano, economia significativa.

CHINA – CASE 2

Na China a tecnologia do biogás esta tão avançada, que além do case da utilização de biogás em taxi foi observado outro projeto não diferente do primeiro, de grade destaque. Idealizada com um investimento de U$ 10 milhões do governo de Pequim, a usina Beijing Yanqing Deqingyuan Eco-Garden 2 é exemplo da magnitude que projetos de geração de energia por biodigestão podem alcançar. Construída na região com maior concentração de criadores de frangos da China, o distrito de Yanqing, a usina recebe diariamente 212 toneladas de dejetos de aves, e faz parte da iniciativa governamental local de controle da poluição e geração de energia por fontes limpas. Sozinha, a usina gera 14 milhões de kWh/ano, além de abastecer diversas famílias locais com biogás, que é usado no preparo de alimentos.

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Através de uma rede integrada de coleta, criadores de frango de Yanqing fornecem diariamente os dejetos de suas aves à usina. Lá, o efluente é misturado com água (do próprio processo) em duas grandes lagoas de armazenamento, com capacidade para 90.000 m³. Devido às características dos dejetos dos frangos da região, o teor de sólidos ideal para produção de biogás é de apenas 10%. Em seguida, ele é encaminhado para quatro biodigestores anaeróbicos, cada um com 3.000 m³, operando a uma temperatura de 38 °C.  O biogás gerado é purificado por duas torres de dessulfurização, com 60 e 120 m³, e então armazenado. A produção anual de biogás é de 7 milhões de m³.

A geração de energia é feita através de dois geradores de 1.064 kW cada, que além de energia elétrica geram calor, que é utilizado para manter aquecidos os biodigestores durante o inverno. A capacidade total de geração de é cerca de 10 milhões de kWh por ano. O excesso de biogás, que não pode ser utilizado para gerar energia é vendido para 300 residências da região, que o utilizam como gás de cozinha. Ao final do processo são gerados 180 mil toneladas de biofertilizante, que é aplicado em sítios produtores de ração animal da região.

Fonte:

http://web.mit.edu/colab/pdf/papers/D_Lab_Waste_Biodigester_Case_Studies_Report.pdf

AMÉRICA DO NORTE

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ESTADOS UNIDOS

Finalmente, o último case de destaque deste post esta localizado na América do Norte. Inaugurada no início de 2013, a usina de biodigestão de Sacramento, Califórnia, recebe diariamente 25 toneladas de restos de alimentos vindos de supermercados, restaurantes e indústrias, transformando-os em gás natural, eletricidade e fertilizante agrícola. Resultado de uma parceria entre empresas do setor energético e bancos, a usina é alto suficiente no consumo de energia elétrica, além de abastecer uma frota de caminhões das empresas parceiras com gás natural. Além do benefício ambiental, a usina de Sacramento gera anualmente U$ 1,1 milhão em arrecadação de impostos ao governo local.

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Um destaque especial é que a usina de Sacramento utiliza o sistema de Biodigestão Anaeróbia de Alto Teor Sólido (sigla ADB, em inglês), que não necessita da adição de água para funcionar. A operação normal ocorre com matéria orgânica 50% (ou mais) seca. Segundo a empresa idealizadora do projeto, trata-se de uma tecnologia inédita no mundo, que permite reduzir o tamanho do biodigestor e o custo de operação, sem comprometer a eficiência da geração de biogás. Assim que chegam à usina, os restos alimentares são condicionados nos biodigestores sob condições físicas específicas, mantidas em sigilo pela detentora da tecnologia. O biogás é capturado por tubulações instaladas no topo dos biodigestores, onde uma bifurcação encaminha parte para purificação visando a geração de eletricidade por geradores, parte para conversão em gás natural. Estima-se que mais de 3,5 milhões de litros de diesel são substituídos anualmente por gás natural. Além disto, toda energia elétrica consumida nas operações de produção de biogás e conversão em gás natural é produzida na própria indústria, tornando-a autossuficiente.

Fonte:

http://www.energymanagertoday.com/sacramento-digester-gobbles-food-spits-out-electricity-087797/

http://www.businesswire.com/news/home/20121214005098/en/CleanWorld-Opens-Nation%E2%80%99s-Largest-Commercial-High-Solid

Histórico do biogás

De acordo com os registros existentes, os primeiros estudos sobre o biogás foram realizados em meados de 1600, quando foi documentada a existência de alguma substância inflamável de composição química desconhecida em regiões pantanosas. Com a evolução dos estudos descobriu-se que o odor estava relacionado à decomposição de matéria orgânica.

Em 1776, o físico italiano Alessandro Volta (1745-1827), após dois anos de pesquisa e experimentos conseguiu identificar a composição química do gás inflamável então denominado de metano (CH4).

No início de 1800, Louis Pasteur vislumbrou pela primeira vez a possibilidade de utilizar este gás como combustível para sistemas de aquecimento e iluminação urbana.

Em 1857 foi construída a primeira instalação destinada a produzir e utilizar o biogás em grande escala em um hospital para portadores de hanseníase de Bombaim, na Índia. Na mesma época, na cidade de Exter, na Inglaterra, o biogás foi utilizado para iluminação pública.

Apesar destas iniciativas, com o passar dos anos este combustível acabou sendo relegado em segundo plano, apenas como um complemento às fontes tradicionais de petróleo e carvão, tidas como infinitas na época, fechando-se um primeiro ciclo da utilização do biogás como fonte energética.

O segundo ciclo do biogás teve início em meados de 1940, durante a II Guerra Mundial, quando a escassez e dificuldade de acesso a fontes fósseis de combustível reacenderam o interesse pela utilização do biogás, tanto para o cozimento e aquecimento de casas, como para a alimentação de motores de combustão interna. No entanto, após o término do conflito, o uso deste combustível ficou geograficamente remanescente na China e Índia, onde permanece sendo utilizado por pequenos produtores rurais até os dias de hoje.

Atualmente, estima-se que há cerca de 8 milhões de biodigestores em operação na China e aproximadamente 300 mil unidades na Índia. Seu uso se dá principalmente para iluminação, cozimento e aquecimento domiciliares.

No Brasil, o interesse pelos biodigestores começou com a crise do petróleo da década de 70. Em novembro de 1979, na Granja do Torto em Brasília, foi construído um dos primeiros biodigestores do país. O projeto instalado na sede do governo foi importante, por que demonstrou ser possível instalar uma unidade produtora de biogás com a utilização de materiais simples e de baixo custo, além disso incentivou o próprio governo no início da década de 80, no contexto do Programa de Mobilização Energética – PME),  a estimular a sua instalação em propriedades rurais. Na época foram instalados cerca de 7 mil biodigestores nas regiões sul, sudeste e centro-oeste.  No entanto, problemas operacionais relacionados em especial a falta de informações e treinamento tornaram o sistema de baixa eficiência, fazendo com que muitos produtores rurais abandonassem a tecnologia. Este foi primeiro ciclo da utilização do biogás no Brasil.

O segundo ciclo dos biodigestores no Brasil teve início em meados dos anos 2000 com o advento do mercado de créditos de carbono que mobilizou recursos para a construção de biodigestores, em especial em propriedades rurais com criação de suínos de médio e grande porte, visando à coleta e combustão do biogás. No contexto do mercado de créditos de carbono, os gases gerados pelos dejetos expostos, em geral em lagoas ou esterqueiras abertas, e não coletados, quando emitidos para atmosfera contribuem negativamente para o aumento do efeito estufa ou aumento da temperatura da Terra. Neste caso, os recursos dos créditos de carbono são aplicados em tecnologias capazes de minimizar este efeito sendo o biodigestor uma destas tecnologias. Estima-se que entre 2005 e 2013 foram instalados no Brasil cerca de 1.000 biodigestores considerando os incentivos financeiros dos créditos de carbono.

Observa-se durante este segundo ciclo do biogás no Brasil, quando comparado ao primeiro, um grande avanço tecnológico, e não diferente do primeiro ciclo, um grande potencial desta fonte energética. Este entendimento é compartilhado pelo governo brasileiro, que para além dos incentivos dos créditos de carbono, que não é aplicável a todos os produtores rurais, tem disponibilizados incentivos especiais para a construção e aquisição de biodigestores, como o Programa Agricultura de Baixo Carbono, ou Programa ABC, e o Pronaf ECO, para agricultura familiar.

Pode-se concluir, que hoje a instalação de biodigestores e o uso de biogás é uma tecnologia bastante avançada, conhecida, desenvolvida e com um grande potencial de aplicação no mundo, como na China e Índia, onde já vem sendo adotado a mais de meio século, e em especial no Brasil, país que cuja identidade é o agronegócio e ainda possui um pequeno número de unidades instaladas quando comprado como os países asiáticos citados.

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