Alimentos da Alice

Se alguém te falar que viu uma propriedade rural que está utilizando dejetos animais para produzir biogás e que a partir deste gás está fabricando produtos como bolachas, pães, massas, e ganhando dinheiro com isto, você iria acreditar?

Pois é! Esta propriedade existe!

Localizada em Nova Cantu, no oeste do estado do Paraná, a pequena fábrica de alimentos da Sra. Alice está dando o que falar. Já conhecida na região pelo sabor dos seus produtos, depois da instalação do Kit-biodigestor da BGS Equipamentos ficou ainda mais famosa.

No sítio eles produzem de tudo um pouco: grãos, verduras, porcos e galinhas. Outra atividade da propriedade é a produção de leite. Hoje a Sra. Alice e o seu esposo, o Sr. Nelson, possuem cerca de 25 vacas.

Até a pouco tempo atrás todos os dejetos das vacas eram depositados em uma esterqueira. Os dejetos ficavam expostos a céu aberto e eram responsáveis pela produção de mau cheiro e a proliferação de moscas. Depois de algum tempo os dejetos eram então coletados e utilizados como “adubo”, uma prática comum em várias propriedades rurais.

Incomodados com esta situação e sempre preocupados com a sustentabilidade ambiental do seu sítio, a Sra. Alice e o Sr. Nelson começaram a buscar informações sobre novas tecnologias. Foi assim que eles começaram a pensar em instalar um biodigestor na propriedade, porém ainda faltava mais alguma coisa. Afinal, não existia nenhum biodigestor na região e tudo parecia meio distante, meio difícil.

Tudo começou a fazer mais sentido quando a Sra. Alice e o Sr. Nelson conhecerem o Luiz Fernando Souza, outro produtor da região ali de Nova Cantu também,  futuro técnico ambiental, e muito, muito interessado por novas tecnologias. O Luiz já tinha um conhecimento prévio sobre biodigestor e através de pesquisa pela internet encontrou a BGS Equipamentos.

Pronto! O Luiz então estudou os nossos equipamentos, concluiu que a solução da BGS era ideal para o sítio da Sra. Alice, apresentou para a Sra. Alice e o Sr. Nelson que gostaram da solução, e, negócio fechado.

O biodigestor foi financiado pelo Banco do Brasil através da linha PRONAF. Após a liberação do financiamento, tudo foi muito rápido. A BGS Equipamentos enviou os produtos para o Sr. Nelson na mesma semana, logo em seguida, o Luiz e o Sr. Nelson,  instalaram o biodigestor e já no 3º dia após a instalação o sistema já estava operando e produzindo biogás. O biodigestor foi instalado em setembro de 2014.

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A Sra. Alice e o Sr. Nelson adquiriram um kit biodigestor completo: biodigestor, purificador de biogás, medidor, balão de armazenamento, bomba de biogás e fogão a biogás; tudo o que é necessário para produzir, e claro, o mais importante, para utilizar o biogás. Junto com o kit eles receberam um manual e um vídeo com detalhes passo a passo de como montar o sistema. Além disso, durante todo o processo, mesmo após a venda, contaram com o suporte da BGS.

Em relação a utilizar o biogás! Uhhmm! Como eles estão usando! Principalmente para a fabricação das bolachas e pães da Sra. Alice.

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Antes de instalar o biodigestor a Sra. Alice gastava por mês cerca de 4 botijões de gás de cozinha, com um custo total de aproximadamente R$ 200,00 por mês. Depois que o sistema foi instalado ela ainda não comprou nenhum botijão. Além da economia, ela relata que a chama do biogás é melhor, mais forte. Por exemplo, assar pães utilizando o biogás está levando menos tempo que com o gás de cozinha.

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Além de toda a economia com gás de cozinha, o Sr. Nelson e a Sra. Alice também estão economizando com fertilizante. Dentro do biodigestor, as bactérias que produzem o biogás se alimentam da matéria orgânica presente no meio e disponibilizam Nitrogênio, Fósforo e Potássio para ser utilizado como adubo, de qualidade muito melhor que o material retirado das esterqueiras. Isto significa mais economia com fertilizantes e grãos melhores.

O Sr. Nelson estima que no sítio deles a economia com biofertilizante pode ser de R$ 2.000 a R$ 3.000,00 por ano.  Eles acreditam assim que em um ano e meio todo o investimento já estará pago.

O próximo passo, segundo o Sr. Nelson e a Sra. Alice, é a instalação de mais um biodigestor para tratar a totalidade de dejetos dos animais, o esgoto doméstico e usar o biogás para gerar energia elétrica para o funcionamento da ordenha.

E quem vai instalar o novo biodigestor para eles? Claro! O Luiz Fernando que a partir de agora é mais um parceiro da BGS Equipamentos.

AliceNelsonLuiz

Bem, sem mau-cheiro, sem moscas, economizando gás de cozinha, economizando fertilizante… não é exagero o trocadilho “Alice no sítio das Maravilhas”!

Sra. Alice e Sr. Nelson, obrigado pela confiança!

Luiz, parabéns pela iniciativa e sucesso no seu novo negócio!

* Achou legal este post? Quer saber mais informações? Veja a entrevista com a Sra. Alice e o Sr. Nelson no link https://www.youtube.com/watch?v=WU0HuTTOAmc.

Fatores que influenciam na biodigestão

 Quando se fala em biodigestão não é raro escutar causos de que alguma coisa não esta indo muito bem ou não está funcionando. Nestas ocasiões o culpado da história sempre é o biodigestor. Ô coitado!!!

Mas como pode um sistema de produção de energia utilizado há anos na Ásia e mais recentemente na Europa e América do Norte, como foi visto no post “Biodigestores ao redor do mundo” (http://bgsequipamentos.com.br/blog/category/mundo/), não funcionar só no Brasil?

Bem, são os segredinhos! Iguais àqueles segredos de boa cozinheira, atenta aos detalhes.

Dentro do biodigestor a matéria orgânica é processada por bactérias. São elas as responsáveis pela produção do biogás e o biofertilizante de qualidade, mas para que isto ocorra de forma adequada, deve-se criar um ambiente propício para as bactérias em termos de temperatura, alimentos disponíveis, pH, etc.

Veja bem! Isto não é muito difícil de fazer, bastam alguns cuidados simples!

Tecnicamente falando, os principais fatores que influenciam a biodigestão e que cada um que pretenda instalar um biodigestor ou já tenha um deve prestar atenção são: temperatura, pH, agitação, tempo de retenção, concentração de água e concentração de nutrientes.

Temperatura:

As bactérias se desenvolvem melhor em temperaturas mais elevadas, em torno de 28°C a 35°C, sendo que com a queda da temperatura, abaixo de 15°C, a biodigestão se torna mais lenta e a produção de biogás é muito pequena. Em regiões mais quentes, ou como se fala, de São Paulo para cima, as temperaturas são altas e não há preocupações neste aspecto. Já no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, em especial no período de inverno, observa-se sim um declínio da produção de biogás. Em biodigestores grandes pode-se pensar em um sistema de aquecimento utilizando o próprio biogás para contornar o período de baixas temperaturas. Em biodigestores pequenos, uma alternativa é realizar a mistura da matéria orgânica com água pré-aquecida antes de entrar no biodigestor, isto ajuda bastante a criar um ambiente adequado para as bactérias.

pH:

A atividade das bactérias metanogênicas, produtoras de biogás, tem um rendimento ótimo na faixa de pH entre 6,6 e 7,4. Valores abaixo de 6,0 ou acima de 8,0 diminuem consideravelmente a produção do biogás, podendo inibir por completo a produção de biogás. Pode-se observar em alguns casos que mesmo com o pH muito ácido ou muito básico há produção de biogás pelo biodigestor, mas não ocorre a queima. Observa-se nestes casos uma grande concentração de gás carbônico e muito pouco metano. Verificar o pH do seu biodigestor é simples. Você pode fazer isto através de um indicador de pH destes de piscina que você mergulha no líquido e ele muda de cor apontando o pH ou através de um phmetro digital (ver fotos abaixo).

figura

Na prática, se o biogás não estiver queimando, desconfie e avalie o pH na saída do seu biodigestor. Se o pH estiver ácido, que é o mais comum, comece a misturar um pouco de cal hidratada até atingir o pH próximo ao neutro e o biogás começar a queimar novamente, no caso dos biodigestor de pequeno porte. Para biodigestores de grande porte, é mais recomendado procurar uma consultoria especializada.

Agitação:

Para muitos a agitação faz sentido quando se entende qual é o seu efeito dentro do biodigestor. Bem, dentro do biodigestor ocorrem duas coisas que justificam a agitação: primeiro que as bactérias formam colônias isoladas, ou seja, como a concentração de alimentos, lê-se matéria orgânica, não é uniforme, então as bactérias se reúnem e se multiplicam onde há mais alimentos; segundo, o biogás produzido pelas bactérias fica preso ao seu redor e quando há muito biogás em sua volta, inibe-se a produção de mais biogás. A agitação, quando realizada de forma adequada, faz com que o biogás ao redor das bactérias seja liberado e permite formação de novas colônias, porque “desmancha” as colônias existentes e isoladas e coloca as bactérias em contato com toda a matéria orgânica. Não há uma regra para todos, mas em linhas gerais recomenda-se que a agitação leve de 10 a 15 minutos, uma vez por semana. Para biodigestores grandes, a agitação é realizada através de moto-bombas, enquanto que nos biodigestores do kit básico da BGS a agitação pode ser feita manualmente através da entrada ou saída do biodigestor por meio de soquetes de madeira.

Tempo de retenção:

O tempo de retenção é um dos fantasmas do biodigestor. Às vezes a temperatura está alta, o pH esta próximo ao neutro, a agitação está acontecendo corretamente, mas a produção de biogás não está ocorrendo. O que pode ser? Pode ser o tempo de retenção. Os biodigestores são construídos com uma capacidade limite de absorção de matéria orgânica por dia. Se há um excesso de carga no biodigestor, não há tempo hábil para as bactérias realizarem a degradação da matéria. Neste caso a produção de biogás começa a ficar deficiente e o biofertilizante produzido é de má qualidade e mau cheiro. Logo, é muito importante conhecer o volume do biodigestor e a sua capacidade de alimentação diária e não ultrapassar estes limites. Em termos práticos o tempo de retenção adequado é de 30 a 40 dias, ou seja, a matéria deve permanecer no biodigestor 30 a 40 dias para que haja a degradação adequada. Considerando esta diretriz é apresentada a seguir uma tabela prática que relaciona o tamanho do biodigestor com os limites diários.

 Biodigestor (m³) Alimentação diária (TR = 30 dias) Alimentação diária (TR = 40 dias)

10

0,3 m³

0,25 m³

20

0,6 m³

0,5 m³

50

1,6 m³

1,25 m³

100

3,2 m³

2,5 m³

300

9,6 m³

7,5 m³

500

16,6 m³

12,5 m³

1.000

30,0 m³

25,0 m³

 

Veja, para um biodigestor de 10 m³ o limite diário de carga é de no máximo 0,30 m³. Não se deve passar destes limites para o bom funcionamento do biodigestor.

Em relação a colocar menos matéria por dia, não há problemas. Em geral haverá uma menor produção de biogás pelo motivo simples que haverá menos alimentos para as bactérias. Por outro lado, como a maior retenção, o biofertilizante será de excelente qualidade.

Excesso de água:

Outro fantasma! Boa temperatura, bom pH, boa agitação e não esta funcionando bem!  O que fazer? Além de verificar se não há o excesso de carga comentado anteriormente, verifique também se não há excesso de água.

A elevada concentração de sólidos é fundamental para a biodigestão anaeróbia e a produção de biogás. O excesso de água reduz a qualidade dos dejetos e a produção de biogás. Para atingir a concentração de sólidos recomendada de 5% a 6% é necessário adicionar mais ou menos água aos dejetos, dependendo da umidade inicial que já existe. A tabela abaixo apresenta a relação dejetos/água diária recomendada para se obter a proporção de sólidos ideal para o funcionamento do biodigestor.

Dejetos

Quantidade (kg)

Água (Litros)

Proporção na prática

Bovinos

150

190

1:1

Suínos

110

220

1:2

Aves

80

240

1:3

Caprinos

70

260

1:3

Búfalo

150

190

1:1

 

No caso especial dos suínos, se os mesmos forem criados no sistema de confinamento não é necessário adicionar água, uma vez que os dejetos são misturados com urina e água de lavagem. A atenção especial neste caso é a respeito da água da lavagem. Deve-se tomar cuidado para que não haja excessos. Se você cria suínos confinados, possui biodigestor e a produção de biogás não é das melhores, verifique se não há excesso de água de lavagem.

Concentração de nutrientes:

Os itens apresentados anteriormente são os principais fatores que influenciam na produção de biogás e são facialmente ajustados ou corrigidos para se obter o melhor resultado do seu biodigestor.  No entanto, caso se corrija todos os fatores anteriores e ainda sim há dúvidas de que se está obtendo o melhor retorno, então deve avaliar a matéria orgânica que esta sendo utilizado para a produção do biogás. Esta observação é válida quando se pretende utilizar matérias orgânicas, vamos dizer aqui, “diferentes” da prática comum (dejetos animais), como por exemplo, restos de alimentos, cascas de frutas, etc. As bactérias metanogênicas precisam principalmente de carbono, nitrogênio, fósforo e potássio. A relação ideal entre carbono e nitrogênio dos dejetos antes da entrada no biodigestor é de 20:1 a 30:1 e a concentração inicial dos outros nutrientes deve ser próxima de 3,1 g/L de nitrogênio, 2,3 g/L de fósforo e 1,9 g/L de potássio.

Bem, diante do que foi exposto aqui é possível concluir duas coisas: primeiro,  o biodigestor não tem nada contra o Brasil, ele funciona no mundo inteiro e funciona aqui também; segundo, que para o bom funcionamento são necessários cuidados mínimos: agitar o material dentro do biodigestor periodicamente, não alimentar o biodigestor em excesso e não utilizar água em excesso. Quando necessário verificar o pH e no Sul do país, no inverno, ter atenção especial com a temperatura.

 

Fontes:

MAGALHÃES, A. P. T. Biogás: um projeto de saneamento urbano. São Paulo: Nobel, 1986.

EMBRAPA SUÍNOS E AVES. Geração e utilização de biogás em unidades de produção de suínos. Concórdia: Embrapa Suínos e Aves, 2006. 42p. (Embrapa Suínos e Aves. Documentos, 115). Disponível em: <http://www.cnpsa.embrapa.br/sgc/sgc_publicacoes/publicacao_l4l77t4r.PDF>

ALVES, R. G. C. M. Tratamento e valorização de dejetos da suinocultura através de processos anaeróbios – operação e avaliação de diversos reatores em escala real. 2007. Tese (Pós-Graduação em Engenharia Ambiental) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2007.

DARTORA, V., PERDOMO, C. C., TUMELERO, I. L. Manejo de dejetos suínos. Concórdia: EMBRAPA-CNPSA, EMATER-RS, 1998. Disponível em: <http://www.cnpsa.embrapa.br/down.php?tipo=publicacoes&cod_publicacao=186>.

Biodigestores e créditos de carbono

Quando se fala em biodigestores, muitos produtores rurais lembram ou os associam aos créditos de carbono. Não é para menos, afinal, é consenso que foram os créditos de carbono os grandes responsáveis pelo ressurgimento dos biodigestores no meio rural no Brasil. Este movimento ocorreu há cerca de 10 anos, quando se ouvia falar em biodigestores de graça, créditos de carbono a preços altos e expectativas de ganhos adicionais para o produtor.

Depois de uma década, o que se observa entre os produtores é que há muitas dúvidas sobre tais créditos de carbono, obtidos através dos biodigestores. Muitas destas dúvidas ocorrem porque o mercado foi desenvolvido de forma restrita às propriedades de grande porte, que representam a minoria em termos de números de produtores existentes no país.

A primeira coisa a se esclarecer é que, sim, o mercado de carbono ainda existe e, sim, é possível gerar créditos de carbono a partir de biodigestores!

Portanto, o objetivo deste post é contextualizar sobre como os créditos são gerados, sobre o mercado atual, retorno esperado e, para quem está pensando em construir ou instalar um biodigestor, uma orientação muito importante para não perder o direito a este retorno financeiro.

No manejo de dejetos animais, os créditos de carbono são gerados a partir da substituição das esterqueiras ou lagoas anaeróbias por biodigestores. Na lógica do mercado de carbono isso ocorre porque as lagoas emitem mais gases de efeito estufa para a atmosfera do que os biodigestores.

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No tratamento com lagoas o biogás gerado é emitido diretamente para a atmosfera. Com a instalação de biodigestores o biogás é capturado pelo balão e queimado. Assim, os créditos de carbono são determinados a partir de uma conta simples: a quantidade de gás que estaria sendo emitida para a atmosfera hoje (com a esterqueira) menos a quantidade de gás que será emitida após a instalação do projeto (biodigestor). Na prática, um crédito de carbono equivale a uma tonelada de gás carbônico (CO2) que deixou de ser emitido para atmosfera.

Os preços dos créditos de carbono flutuam bastante de acordo com a demanda do mercado. Para uma análise de retorno de médio prazo pode-se considerar um valor de referência da ordem de € 10,00 (dez euros) por crédito.

Para se ter uma estimativa da receita com créditos de carbono apresentamos a seguir alguns exemplos:

Frame

Um contraponto a tudo é que os créditos não são somente receitas e lucros. Também há despesas, em especial com projetos e documentos para certificar a propriedade que possui um biodigestor a receber os créditos de carbono. Para se ter uma ideia, no caso de biodigestores grandes, o ideal é que se forme um grupo de no mínimo 10 produtores para que o projeto se torne viável. Para os biodigestores pequenos, como no caso do kit básico da BGS, este número sobe para cerca de 1.000 produtores para viabilizar. Muita gente, não?

Hoje todo o mercado de créditos de carbono é regulamentado e administrado pela ONU, que avalia os projetos e aprova as propriedades que receberão os créditos. Ela também estabelece uma regra muito importante: os biodigestores devem ser novos ou construídos há no máximo seis meses.

Como reunir 10, ou no caso dos biodigestores pequenos, 1.000 unidades, não é algo fácil, é permitido que biodigestores novos possam obter os créditos no futuro, após formar o grupo, desde que na época da construção ou instalação, seja enviada uma carta à ONU comunicando a data do início das obras. Esta é uma etapa obrigatória, portanto biodigestores construídos há mais de seis meses que não realizarem essa comunicação perdem o direito aos créditos.

No caso dos clientes da BGS Equipamentos, estes não precisam se preocupar! Como parte da consultoria em projetos de biodigestores grandes a BGS Equipamentos realiza a comunicação à ONU e entrega o documento ao cliente sem qualquer custo.

Finalmente, depois da reunião de vários produtores em torno de um projeto, o processo leva cerca dois anos e necessita de alguns equipamentos especiais, como um queimador fechado e equipamentos de monitoramento do biogás.

Uma vez que certificada a propriedade a mesma poderá receber os recursos dos créditos de carbono por até 21 anos. Vale a pena ficar atento!!!

 

Mini biodigestor

Você já teve a ideia de construir um biodigestor, com dejetos de bovino, suíno, galinha, restos de alimento, vinhaça e outras matérias orgânicas, mas ficou em dúvida se iria funcionar? Uma alternativa rápida e barata é construir um mini biodigestor, em casa mesmo, com materiais fáceis de se encontrar em qualquer lugar. Assim você pode realizar todos os testes possíveis antes de avançar com projetos maiores.

Você já havia pensado nisto?

A seguir é apresentado passo-a-passo de como você pode construir e operar seu próprio mini biodigestor, conforme o esquema abaixo (Pakinstan Science Club, 2012).

biogas dia1025 - Cópia

 

MATERIAIS NECESSÁRIOS

- Um galão de água de 20 litros vazio, para o biodigestor;

- Uma câmara de pneu vazia, para o armazenamento de biogás;

- Dois metros de tubulação de plástico maleável de diâmetro ¼’’ (6 mm);

- Um tee de diâmetro ¼’’ (6 mm);

- Uma válvula com registro de diâmetro ¼’’ (6 mm);

- Um metro de tubo PVC de diâmetro ¾’’ (20 mm);

- Dois cap de PVC de diâmetro ¾’’ (20 mm);

- Um tubo de cola tipo Super bonder;

- Areia fina;

- Uma sacola plástica;

- Um rolo de fita adesiva;

- Um pincel grande;

- Uma lata pequena de tinta cor preta;

- Um balde de plástico de 20 litros;

- Um funil de plástico;

- Equipamento de solda (opcional).

 

PROCEDIMENTOS DE CONSTRUÇÃO

Corte o tubo de PVC de ¾’’ (20 mm) para que este fique na mesma altura do gargalo do galão.

Passo1

 

Para a entrada de matéria orgânica, faça uma abertura na parte de cima do galão com diâmetro igual ao do tubo de PVC de ¾’’ (20 mm), sendo recomendado o uso de máquina de solda para fazer esta abertura. Encaixe o tubo de PVC de ¾’’ (20 mm) na abertura, deixando um espaço de 5 cm acima do fundo do galão. Conecte um dos cap de PVC de ¾’’ (20 mm) na extremidade do tubo que está para fora do galão.

Passo2.5

 

Agora para a saída da matéria orgânica digerida, faça outra abertura na lateral do galão com diâmetro de 2 cm, no lado oposto ao tubo de entrada, a aproximadamente 10 cm abaixo da parte de cima do galão. Encaixe o restante do tubo de PVC de ¾’’ (20 mm) e conecte o outro cap de PVC de ¾’’ (20 mm) na extremidade do tubo que está para fora do galão.

Passo3.5

 

Para fixar os tubos e evitar a entrada de ar no biodigestor, coloque um pouco de areia fina ao redor da conexão entre o tubo e galão e passe cola tipo super bonder generosamente (sem economia).

Passo4.6

 

Para a saída de biogás, faça uma abertura lateral no gargalo do galão com diâmetro de 0,6 cm. Encaixe a tubulação maleável de ¼’’ (6 mm) e fixe da mesma maneira como foi realizado anteriormente, com areia e cola.

Passo5.5

 

Corte a tubulação maleável de ¼’’ (6 mm) e conecte uma ponta na parte central do tee de ¼’’ (6 mm). Em uma das pontas do tee conecte um pedaço da tubulação de ¼’’ (6 mm) e em seguida conecte a câmara de pneu. Na outra extremidade do tee conecte o restante da tubulação de ¼’’ (6 mm) e na extremidade final da tubulação conecte a válvula com registro de ¼’’ (6 mm).

Passo6.5

 

Feche completamente o bico do galão com um pedaço da sacola plástica e passe fita adesiva ao redor para vedar a entrada de ar.

Confira a seguir como deve ficar a montagem final do mini biodigestor.

Passo7.5

 

Para aumentar a temperatura dentro do biodigestor e evitar que a incidência de luz solar estimule a criação de algas, prejudicando a produção de biogás, é recomendável pintar toda a parte externa do galão com tinta de cor preta.

Passo8

 

OPERAÇÃO DO BIODIGESTOR

Para iniciar a operação do biodigestor é necessário primeiramente preparar o substrato. Dentro de um balde plástico, coloque cerca de 8 a 9 litros de esterco de animais ou o material desejado, adicione água na mesma proporção e misture bem até ficar homogêneo.

Independente do matéria orgânica que será utilizada no biodigestor, na primeira carga, sempre utilize dejetos de gado ou suínos para iniciar o processo.

Retire o cap da tubulação de entrada do biodigestor e com o auxílio do funil despeje aos poucos todo o substrato contido no balde. Feche novamente a tubulação de entrada com o cap.

Certifique-se de que a tubulação de saída esteja fechada com o cap. Nas próximas incorporações de substrato no biodigestor o tubo de saída deve estar aberto, sem o cap, para permitir a saída da matéria orgânica já digerida. Este material deve ser coletado e pode ser utilizado como biofertilizante para adubar plantas, não sendo recomendado o seu uso em vegetais para consumo humano.

Após a primeira carga alimente o biodigestor diariamente com 1,2 litros de matéria orgânica misturado com água. Lembre, 0,6 kg de matéria orgânica, mais 0,6 litros de água, mistura no balde e depois coloca dentro do biodigestor.

Deixe o biodigestor em um local seguro e exposto ao sol durante uma a duas semanas, pois a primeira produção de biogás é mais lenta.

A produção esperada será entre 3 e 7 litros de biogás por dia.

 

EQUIPAMENTOS

Para avaliar a sua produção de biogás você pode instalar um medidor de vazão tubulação maleável de ¼’’ (6 mm) entre o biodigestor e a câmara de pneu.

Se quiser purificar o biogás você pode instalar um filtro na mesma tubulação, mas antes do medidor de vazão.

Outros equipamentos que você poderá utilizar no mini biodigestor para a queima do biogás são: fogão, campânula e lampião exclusivos para biogás. Estes equipamentos são instalados na extremidade final da tubulação maleável em lugar da válvula com registro de ¼’’ (6 mm).

 

QUEIMA DO BIOGÁS

Abra a o registro da válvula e acenda a chama com um isqueiro ou fósforo. Para apagar a chama, feche a válvula.

No início é comum o biogás produzido não queimar devido à baixa concentração de metano. Se isto ocorrer, esvazie todo o biogás armazenado na câmara de pneu e da tubulação maleável que transporta o biogás.

Aguarde alguns dias até a próxima produção de biogás, que pode ser verificada pelo volume na câmara de pneu, e então tente acender a chama novamente.

 

CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO

Para garantir o bom funcionamento do biodigestor e a produção de biogás é necessário observar algumas condições.

Conforme alertado anteriormente, após o início da geração de biogás, alimente diariamente o biodigestor com matéria orgânica fresca e água na proporção de 1:1, para manter a produção de biogás constante.

A temperatura é outro fator muito importante para o funcionamento do sistema. As bactérias que atuam na primeira fase da biodigestão anaeróbia se desenvolvem em temperaturas de 20°C a 25°C, enquanto as bactérias que produzem o gás metano se multiplicam em temperaturas mais elevadas, de 35°C. Uma maneira simplificada e não onerosa de manter a temperatura elevada dentro do biodigestor é a adição de água aquecida dentro do mesmo. Para isto, coloque água em um tambor, cubra-o com uma lona preta ou outro material isolante termicamente e deixe-o no sol. No final do dia utilize esta água aquecida para realizar a mistura entre esterco e água para a alimentação do biodigestor.

Além disso, o biodigestor deve ser agitado pelo menos 2 vezes por semana, balançando manualmente o galão. A agitação é importante para manter um contato total e permanente das bactérias com os dejetos, uniformizar a temperatura e as camadas que existem dentro do biodigestor. A agitação também destrói microbolhas de gases formadas no interior da mistura e que aprisionam as bactérias, impedindo sua atuação na degradação dos dejetos e formação do biogás.

 

PRECAUÇÕES

O biogás é composto em sua maior parte por metano, um gás altamente inflamável e explosivo. Portanto, o biodigestor deve ser mantido longe de chamas e descargas elétricas.

Além disso, o biodigestor também deve ser instalado em um local ventilado, pois outros gases presentes no biogás podem provocar asfixia ou danos ao sistema respiratório.

A chama produzida pela queima do biogás possui a coloração azul-claro, podendo ser de difícil visualização, portanto é preciso tomar cuidado para não se queimar.

 

Biodigestores maiores irão funcionar exatamente iguais, em função da mistura adequada entre matéria orgânica e água, aquecimento e agitação. A BGS Equipamentos possui kit prontos de fácil instalação (1 dia) com biodigestor, purificador, medidor, balão, bomba de biogás e fogão para pequenas propriedades, bem como presta consultoria para construção de biodigestores de grande porte.

 

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contato@bgsequipamentos.com.br

 

Fontes:

1 – Pakinstan Science Club. Making of DIY Biogas Plant, Anaerobic Digester Experiment Featured. Disponível em: <http://www.paksc.org/pk/diy-projects/764-biogas-plant-experiment>

2 – Pakinstan Science Club. Mini Biogas Digester. Disponível em: <https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10150512542083518.391003.56585453517&type=3>

 

 

 

 

Geração Distribuída

Os avanços na legislação ambiental e os incentivos dos créditos de carbono em meados de 2005 e 2006 resultaram nos últimos anos em uma grande expansão no número de biodigestores instalados no Brasil.

Em 2005, este sistema de tratamento de dejetos animais era visto com grande desconfiança pelos produtores rurais e o biogás era queimado exclusivamente para a produção de créditos de carbono. Hoje se observa que a instalação de biodigestores teve grandes avanços, a confiança no sistema é sólida e o produtor vislumbra a utilização do biogás dentro da propriedade para aquecimento e principalmente geração de energia. Nesta área é recorrente o questionamento sobre a possibilidade de venda da energia para as concessionárias locais.

O que poucos estão sabendo é que isto sim, já é uma realidade, ou seja, já é possível através da combustão do biogás produzir energia e vender para a rede local. Este é o conceito de geração distribuída. Regulamentada pela ANEEL desde 2009, a geração distribuída consiste em instalar pequenas fontes geradoras de eletricidade próximas ao local de consumo, seja ele uma casa, uma fábrica ou uma granja. Além disso, permite a venda do excedente de energia produzido para a concessionária local de energia, tornando-se uma fonte de renda extra para o produtor rural. A figura abaixo ilustra o esquema de operação da geração distribuída.

GDDe um lado temos a fonte de geração convencional interligado à linha de transmissão e distribuindo eletricidade na rede, de outro temos o produtor rural que cria suínos ou bovinos por exemplo. Este produtor possui um biodigestor. O biogás produzido é canalizado para o gerador que queima o biogás e gera eletricidade para a própria propriedade e o excedente é enviado para a linha de distribuição.

A geração distribuída é bastante popular na Europa, mas no Brasil, mesmo regulamentada desde 2009, na prática ainda está no início e é pouco difundida entre os produtores rurais e consumidores em geral. Como a energia é mandada diretamente para a rede de distribuição a principal exigência para a geração distribuída é a instalação de um painel de controle que permita não apenas medir o quanto está sendo gerado e enviado, mas também interromper o envio quando a rede precisar ser desligada para manutenção.

painelPainel de controle necessário para a venda de energia proveniente dos biodigestores para a rede

Um exemplo de onde este sistema já existe é a Granja Colombari, localizada em São Miguel do Iguaçu, no oeste do estado do Paraná. De acordo com informações da Plataforma Itaiupu (2010) estima-se que os dejetos dos 3.000 porcos da granja produzam diariamente 600 m³/dia de biogás durante as estações mais quentes e 450 m³/dia durante as estações mais frias .Diariamente são produzidos em média 360 kW de energia, sendo 60% consumido na própria propriedade e o restante vendido para a companhia elétrica local, COPEL. Hoje o custo com eletricidade na propriedade é igual a zero e a receita extra com a venda de energia excedente é de aproximadamente R$7.000,00 por ano.

Na prática o que se tem observado é que o investimento necessário com equipamentos, principalmente para a aquisição do painel de controle, tem tornado esta tecnologia acessível e viável somente a produções de médio a grande porte, ou seja, acima de 3.000 suínos como a Granja Colombari ou 200 vacas.

Para pequenas propriedades a ideia de vender energia para rede ainda é um pouco distante, no entanto é possível sim a geração de eletricidade a partir do biogás em pequenas quantidades para a operação de equipamentos específicos dentro da propriedade. Ordenhadeiras, bombas d’água, compressores, sistema de aquecimento são alguns exemplos de equipamentos que podem funcionar ligados a pequenos geradores. Para esta situação a BGS Equipamentos disponibiliza no mercado geradores de 1.200 W ou 1,5 HP e 3.000 W ou 4 HP que consomem respectivamente 1,5 e 3,5 m³ por hora podendo ser operado por até 6 horas por dia.

gerador

Para um produtor com 40 vacas, por exemplo, a produção média de biogás por dia é de aproximadamente 10 m³, suficiente para alimentar o gerador de 1.200 W por 6 horas e o gerador de 3.000 W por cerca de 3 horas por dia.

Estes geradores são móveis e podem ser levados a qualquer ponto da propriedade. Uma possibilidade ao produtor é conjugar os balões de armazenamento da BGS Equipamentos ao gerador, ou seja, é possível desconectar o balão de armazenamento da rede de biogás e carregar em cima de uma camionete ou caminhão juntamente com o gerador para qualquer ponto da propriedade possibilidade levar energia aonde à rede não chega.

Os geradores da BGS Equipamentos são projetados para operar com biogás e através da mudança de posição de uma alavanca no mesmo é possível também operar com gás de cozinha (GLP).

A BGS conta com uma linha completa de geradores a biogás. Para maiores informações visite a seção PRODUTOS do nosso website: www.bgsequipamentos.com.br.

 

REFERÊNCIAS

Manual de Acesso de Geração Distribuída ao Sistema da Copel: Disponível em http://www.copel.com/hpcopel/normas/ntcArquivos.nsf/0342A62F50C68EC4032577F500644B9A/$FILE/905100.pdf.

Granja Colombari – Informações: Disponível em http://www.plataformaitaipu.org/jornal-energia/com-forca-itaipu-aneel-regulamenta-geracao-distribuida-em-todo-brasil.

 WINROCK INSTITUTE. Manual de treinamento em biodigestão. Versão 2.0, 2008, Salvador, Brasil.